sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Mitologia e anormalidades do funcionamento emocional

As primeiras referências aos Rakshasas remontam às escrituras antigas da mitologia Hindu, como uma raça de humanoides míticos, as almas conturbadas: os devoradores de Homens. Reza a lenda que esta espécie particular de demónio se destacava pela capacidade de mudar de forma (shapeshifting), assumindo uma identidade alheia por completo, sendo peritos na arte da ilusão e da magia. O seu poder era potenciado pela noite e sujeito às fases da lua, mantendo-se latente durante o dia. Não me proponho a desenvolver a teoria fútil de que os Rakshasas seriam uma espécie primitiva de vampiros – isso seria uma afronta. Sirvo-me da mitologia meramente como metáfora, que é o seu real propósito apesar das dimensões que a imaginação humana atribuí à interpretação literal. Mas bem… Não foi assim que sempre aconteceu no que toca à religião? Torna-se necessário realçar as minhas intenções.
A designação de demónio envolve a conotação de maldade, o que tampouco é vero. Os Rakshasas não possuem o mesmo tipo de malícia, e podemos agrupá-los em três tipos: os Vampiros, os Titãs, e os Yakshas.

No sentido comum que se atribuí à palavra Rakshasa afiguram-se os Vampiros, uma classe funesta, danosa, que aflige e destrói a humanidade de qualquer forma possível – violência premeditada e instrumental, o instinto destrutivo – o primeiro e mais nefasto dos Rakshasas é conhecido actualmente como o psicopata.

Um segundo tipo seria a oposição aos valores divinos, os Titãs, que se recusavam a seguir as directrizes sagradas e se insurgiam contra a lei dos Deuses. Neste caso deparamo-nos com uma violência reactiva contra as normas e os seus veículos, e um afastamento dos padrões tidos como certos, usando toda a sua força para agarrar os padrões de sua livre escolhe, independentemente de serem certos ou errados – o segundo Rakshasa é o sociopata dos nossos dias. 
O terceiro tipo talvez fosse o mais complexo de compreender devido à sua ambivalência, estes estariam mais perto dos Yakshas – os espíritos da natureza - do que propriamente do conceito de Rakshasa. Distinguem-se dos restantes porque são os únicos considerados inofensivos, sendo chamados de Punya-janas (as boas pessoas), no entanto, ao mesmo tempo aparecem retratados como os duendes do mal. O conflito do Yaksha Rakshasa reside em ter sido tocado pelo bem: apesar do baptismo divino, da imersão e união com a natureza, ele não consegue libertar-se da sua essência de Rakshasa, estando para sempre condenado à luta entre o impulso e o remorso, o prazer e o amor, a frieza e o sentimento, o mal e o bem. Este Raksasha caminha sobre a fronteira, sugado pela força gravitacional de ambos os lados, mas sem nunca se conseguir desprender da fronteira – o último dos Rakshasas é o borderline.