As primeiras referências aos Rakshasas remontam às
escrituras antigas da mitologia Hindu, como uma raça de humanoides míticos, as
almas conturbadas: os devoradores de Homens. Reza a lenda que esta espécie
particular de demónio se destacava pela capacidade de mudar de forma (shapeshifting),
assumindo uma identidade alheia por completo, sendo peritos na arte da ilusão e
da magia. O seu poder era potenciado pela noite e sujeito às fases da lua, mantendo-se
latente durante o dia. Não me proponho a desenvolver a teoria fútil de que os
Rakshasas seriam uma espécie primitiva de vampiros – isso seria uma afronta.
Sirvo-me da mitologia meramente como metáfora, que é o seu real propósito
apesar das dimensões que a imaginação humana atribuí à interpretação literal.
Mas bem… Não foi assim que sempre aconteceu no que toca à religião? Torna-se
necessário realçar as minhas intenções.
A designação de demónio envolve a conotação de
maldade, o que tampouco é vero. Os Rakshasas não possuem o mesmo tipo de
malícia, e podemos agrupá-los em três tipos: os Vampiros, os Titãs, e os
Yakshas.
No sentido comum que se atribuí à palavra Rakshasa
afiguram-se os Vampiros, uma classe funesta, danosa, que aflige e destrói a
humanidade de qualquer forma possível – violência premeditada e instrumental, o
instinto destrutivo – o primeiro e mais nefasto dos Rakshasas é conhecido
actualmente como o psicopata.
Um segundo tipo seria a oposição aos valores
divinos, os Titãs, que se recusavam a seguir as directrizes sagradas e se insurgiam
contra a lei dos Deuses. Neste caso deparamo-nos com uma violência reactiva
contra as normas e os seus veículos, e um afastamento dos padrões tidos como
certos, usando toda a sua força para agarrar os padrões de sua livre escolhe,
independentemente de serem certos ou errados – o segundo Rakshasa é o sociopata
dos nossos dias.
O terceiro tipo talvez fosse o mais complexo de compreender devido à sua ambivalência, estes estariam mais perto dos Yakshas – os espíritos da natureza - do que propriamente do conceito de Rakshasa. Distinguem-se dos restantes porque são os únicos considerados inofensivos, sendo chamados de Punya-janas (as boas pessoas), no entanto, ao mesmo tempo aparecem retratados como os duendes do mal. O conflito do Yaksha Rakshasa reside em ter sido tocado pelo bem: apesar do baptismo divino, da imersão e união com a natureza, ele não consegue libertar-se da sua essência de Rakshasa, estando para sempre condenado à luta entre o impulso e o remorso, o prazer e o amor, a frieza e o sentimento, o mal e o bem. Este Raksasha caminha sobre a fronteira, sugado pela força gravitacional de ambos os lados, mas sem nunca se conseguir desprender da fronteira – o último dos Rakshasas é o borderline.
O terceiro tipo talvez fosse o mais complexo de compreender devido à sua ambivalência, estes estariam mais perto dos Yakshas – os espíritos da natureza - do que propriamente do conceito de Rakshasa. Distinguem-se dos restantes porque são os únicos considerados inofensivos, sendo chamados de Punya-janas (as boas pessoas), no entanto, ao mesmo tempo aparecem retratados como os duendes do mal. O conflito do Yaksha Rakshasa reside em ter sido tocado pelo bem: apesar do baptismo divino, da imersão e união com a natureza, ele não consegue libertar-se da sua essência de Rakshasa, estando para sempre condenado à luta entre o impulso e o remorso, o prazer e o amor, a frieza e o sentimento, o mal e o bem. Este Raksasha caminha sobre a fronteira, sugado pela força gravitacional de ambos os lados, mas sem nunca se conseguir desprender da fronteira – o último dos Rakshasas é o borderline.